É cheio de pedras, redondas, pedras roladas de um rio que ja não passa por ali. Eu tenho nos pés os sapatos errados como sempre, e ca...

Tem um caminho...

É cheio de pedras, redondas, pedras roladas de um rio que ja não passa por ali.
Eu tenho nos pés os sapatos errados como sempre, e caminho insegura pelo caminho serpenteante.
Há montanha, deserto, gelo, sal e mar infinito que dá nas praias da África. Há o vale entre as cordilheiras. 
Há Pompéia , há Conimbriga e Purmamarca, há o labirinto de pedra por baixo de Napoles, uma vela branca no candelabro de porcelana em minhas mãos iluminando a claustrofobia.
Há a boca do Vesuvio , aberta para me engolir, há o ar rarefeito a me sufocar, há também dois, quatro ou cinco mil metros acima do mar.
Há marijuana fumada em Amsterdam e coca mascada no Vale de la luna. 

Há mais de 50 mil km do mudo percorridos, muitas vozes em muitas linguas e muitas lembranças em frascos: Ar de Buenos Aires, terra de um campo de concentração. Há cigarros de uma tarde a séculos atrás e o pé de um pequeno pássaro. Há o sangue de um hipócrita. 
É um longo caminho. Há muito nele. Há alegria, maravilhas, deliciosa decadência, ascensão, dor, traição, violência física e mental.

Adivinhe o que não há.

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