...um pouco da velha cegueira de antes , e da energia petulante que lhe deixava com uma certa estática pelo corpo, que queimava lâmpadas d...

talvez me falte...

...um pouco da velha cegueira de antes, e da energia petulante que lhe deixava com uma certa estática pelo corpo, que queimava lâmpadas dos cômodos agitava as gatas-pretas que lhe fugiam nesses momentos e iam esconder-se pelos cantos do apartamento.

talvez lhe falte dançar com a própria sombra, a musica ecoando pelos cantos do frio e escuro apartamento no subsolo. ou ouvir o vizinho de cima tocar por longas horas, para alem da doença que lhe fazia esquecer a todos e a tudo menos ao dom de beliscar as cordas com perfeição.

o chocolate quente, no qual é especialista, feito no microondas de forma mágica e rápida e um filme qualquer ja visto ou episodios repetidos de um velho seriado por que os fazem rir embaixo das cobertas, no sofá.
o cafuné que lhe dá sono imediato ou o silencio que traz à mente uma musica em comum. pouca preocupação, pouca fofoca e tantas pessoas ignoradas, enganadas, pensando o que quer que desejem.

talvez lhe falte os banhos gelados das seis da tarde, "para acordar", para tomar um onibus e ouvir sobre uma arte nao tao arte como ela julga, e os materiais que nunca lembra de levar, comprados às pressas na loja da frente, sempre mais caros do que seriam se tivesse se lembrado antes.

talvez lhe falte o sossego angustiante de acordar já novamente no escuro. de fazer suas proprias leis. de contar segredos a estranhos no meio das festas e fugir, de lhes prender laços de cetim invisível aos seus pulsos com a promessa silenciosa de nunca ficar e nunca partir.

ah por vezes conhecer a própria força, em energia circulante, ser detestada e amada com uma frequencia louca e translucida, rir como criança de tais coisas.
fugir de lá e daqui. procurar encontrar e fazer pouco-caso, nao querer ir embora, rir de voce e de mim.

2 comentários:

  1. Se achar que este é o caminho, trilhe-o. Nada é definitivo. O mundo foi feito efêmero, assim como o seres humanos.

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  2. histórias que se confundem...

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