Eu a vi, vermelha como um rubi, cintilando sobre o rio dos meus pensamentos. contou-me coisas que eu ja sabia e outras nem tanto, debochou d...

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Eu a vi, vermelha como um rubi, cintilando sobre o rio dos meus pensamentos. contou-me coisas que eu ja sabia e outras nem tanto, debochou das minhas duvidas e riu da minha falta de planos, que na verdade nem falta!
Pisou-me com aquele sapato vermelho "impossível" questionando cada suspiro meu.

Eis o que me contou, aos sussurros de deboche:
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ambos nao sabiam o que era o amor, a pouco que descobres, aquilo era ja outra coisa, parte do mundo paralelo incansável dos beijos roubados, de afeto malicioso, ilícito, alcoólatra. há de o tempo passar e ruir com um ou com outro e então, bem velhos e decrépitos, de veludo puído e renda gasta, vao abrir os olhos em um dia nublado que lhes faz doer as juntas e dizer "compreendi". onde estarão, nao sei, e nao deve demorar muito,   pois um ja não vê de perto, o outro nao vê de longe.

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as crianças  brincavam juntas, corriam às gargalhadas pelos corredores e escadas, mandavam-se bilhetes durante as aulas. as vezes fugiam de lá e iam para o cinema, que nem viam, pois se roubavam beijos. encantador tempo de solidões convictas, segredos e mágoas, que o tempo deu e tirou. não sabem, não souberam, mas viviam, e como!
mas as crianças crescem.a escola acaba.....e este é um mundo cheio de crianças.

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ahh há o amor das travessias, quilômetros e milhas, dois mil pés do chão. o amor do "sempre partir". não há muito o que dizer, só que é belo e tranquilo, acho graça por que é irônico, esse ir e vir..... essa saudade permanente.

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e se eu falasse que ela ja nao lembra o cheiro do pur blanca? que só vislumbra o que passou como se um anjo carregado de velas lhe iluminasse o rosto?

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3 comentários:

  1. E se eu dissesse que ela roubou um vidro de pur blanca e borrifou nas páginas de livros aleatórios pela estante? Que ainda lê muito e pensa como seria interessante dividir isso com alguém que realmente (talvez) seria a única pessoa que entenderia como aquilo afeta o mundo em que vivem?

    A vida é feita de lembranças e promessas, de vislumbres, de sonhos que não se realizam e de constatações sobre uma realidade que talvez nunca tenha ocorrido.
    Somos todos crianças ainda, e apenas crianças mais velhas.

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  2. Eu diria que jamais esqueceu o cheiro do sândalo. E que a saudade - interminável - persistirá até o infinito. E que bastaria muito pouco, para torna-se o que deve ser.

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  3. "pois um ja não vê de perto, o outro nao vê de longe."

    Só se ambos permitirem que isso aconteça.

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