eu me deitei pensando em morrer por amor. lembrei do veneno, lembrei de minha espada, na sala, lembrei de Tisbe e Píramo. minha imaginação ...

menos um ano. talvez um ano a mais.


eu me deitei pensando em morrer por amor. lembrei do veneno, lembrei de minha espada, na sala, lembrei de Tisbe e Píramo.
minha imaginação perfeita me fez sentir uma fina lamina trespassar gelada minha carne até o meu coração. meu corpo em um espasmo.
como eu não saberia como é morrer assim? se ja conheço a dor perfeitamente?
eu repito: não gosto como a vida funciona.....gostaria, tao simplesmente de morrer de amor.

(e a fenda na parede, unico meio pelo qual Tisbe falava a ele, mantinha-os proximos, mas ao mesmo tempo, muito distantes.)

mas adianta pensar no simples? nada é simples. "nada é como a gente quer" alguem diria.
e se eu puder? e se eu pudesse, de verdade?
haveria sempre um lado, algum par de olhos, dotados por uma mente que pensaria "por que ela fez isto?é injusto"
entao meu poder, de nada serve.
se eu posso ver, perfeitamente, por que nao posso realizar?

por que de uma hora para outra eu que tinha todas as respostas e que me sentia tao plenamente entediada agora tenho tantas perguntas?
eu gostava que me fizessem perguntas. ainda gosto.
eu própria me acho um desperdício, e nao vejo como posso usar a minha mente da forma que eu anseio. eu nao vejo sentido na vida, ela me perguntou:"é livre, por que ainda está aqui?"

eu respondi, mas na verdade acho que nao sei. agora tenho novas perguntas, muitas e tantas que me apavoro.







e assim vai um ano, dois mil e nove. talvez a mais talvez a menos.
voce respira, deita, dorme, alimenta-se, exercita-se. dá-me um livro entre as maos para que eu leia, eu passo minutos e talvez horas olhando a capa. eu deito,
eu durmo eu sonho, acordo assustada.
eu sou assim e serei sempre assim, e o mundo me dá suporte, envelhecerei quando for necessário, ou quando eu quiser.
e entao?
eu posso suportar-me? eu posso sempre lembrar de que tenho de comer, dormir, respirar?
eu devo lembrar de envelhecer?
eu posso mudar, posso mudar o que eu quiser, o que isso faz de mim? o que isso faz às pessoas?
o que elas querem é uma atitude, querem que trabalhe, que corra contra o tempo. querem que voce largue a paz e a segurança; querem tudo, voce as condena, e voce é igual.
menos um ano.
talvez um ano a mais.

eu quero morrer de amor, dele, ou por ele. eu posso?

sim.

2 comentários:

  1. Ah Sami;
    Todo mundo é assim e mais cedo ou mais tarde a gente esquece que não tem objetivo, no final ninguém tem.
    Não adianta eu discursar sobre os motivos que eu tenho ou que outro alguém tenha, nunca vão ser bons o suficiente para te manter com a gente. Não por muito tempo, eu acho...
    Morrer de amor deve ser bom. Eu ainda espero meu final pelas mãos perfumadas dele. É algo que consome aos poucos e está ali, esperando ao lado da soleira da porta, aguardando tanto quanto eu.

    Nunca uma amoreira foi tão vermelha, nunca uma fruta foi tão doce;

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir