As vezes, muito cansada nem sei de que, deito-me à tarde. Logo o chao se encharca de agua salgada, o frescor do silencio me delicia. E enta...

As vezes, muito cansada nem sei de que, deito-me à tarde.
Logo o chao se encharca de agua salgada, o frescor do silencio me delicia. E entao, assim sem mais, o que resta das ondas vem buscar-me, espumada e fria a agua me toca as pontas dos pés tao brancos agora quanto a areia.
Ando como andei muitas vezes, em direção ao infinito do mar, olhando algum ponto incoerente, que se existir, dá a volta ao mundo e mora em mim.

Quando durmo tudo é cinza, banhado de uma realidade tao sombria quanto as revelações que tive sobre a vida.
O mar me engole. Me arrasta sem luta. Assinto sem medo o seu meio a me envolver, consumida nas lembranças frias, enroscada nas convicções perdidas, abraçada ao infinito de mim.

2 comentários:

  1. comigo mais parece o contrario, tenho medo do mar, tenho medo de esquecer das coisas que julgo importante não esquecer,tenho medo de que a felicidade que ele trás afogue meus objetivos. Sou ainda muito apegada a algumas coisas... não conseguiria me deixar levar.... tenho medo de me perder e gostar u.ú

    por isso gosto de ti, gosto de pessoas que me passam essa liberdade ... esse desapego

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  2. sensibilidade, misteriosa... algo em você me intriga, é como se me conhecesse e me perdesse nas tuas palavras, uma estranha conhecida.

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