E u abri os olhos e percebi que ela estava à minha frente, mais baixa do que eu e entendi que estava de pé em cima de um banco de praça. ela...

nossas maos pequeninas e pálidas.

Eu abri os olhos e percebi que ela estava à minha frente, mais baixa do que eu e entendi que estava de pé em cima de um banco de praça.

ela era a mesma, mesmo que eu nao percebesse quantas eras passaram-se desde a ultima vez em que a vi, em que ela olhou para mim, que olhou dentro de mim. Mas eu nao me lembrava do seu nome. Era como se soubesse e esperava no seu vestidinho xadrez preto-e-branco, e a fita de veludo carmim nos cabelos lisose loiros com cahinhos nas pontas. O velho olhar, o mais escuro par de olhos que eu já vi, pelo menos em uma garota de pernas compridas que aparentava ter 8 anos.


a idade mágica.

olhei para mim mesma novamente. O velho vestido de tafetá azul-céu-noturno com a fita lavanda a cingir-me a cintura, sapatos boneca, meias brancas. (achei engraçado)

suspirei, tomei fôlego.

- "me diga seu nome.... quem és?" - perguntei
- "minhas querida mais esquecida! por certo se lembra de mim, mas nunca meu nome... Sempre se lembra da outra! Me chamo "Vida"... vamos brincar? Ah sim por favor, mais uma vez apenas!"

senti uma vertigem.

- "sim... é claro. De que brincamos?" - perguntei ainda em cima do banco, mexi-me como que para descer dele, ela estendeu a mao para que eu parasse.
- "fica aí. - ela ciciou - brincaremos de "felicidade" está bem?"
- " e se brinca como?"
ela sorriu.
-" ora vamos! nem disso se lembra?" - ela perguntou virando os olhos - "Assim" - estendeu a mao- "Eu lhe pergunto o que queres:
'pimenta pimentinha pimentao, ou sapatinho de algodão?'
e voce escolhe um!"
ela me olhava séria com a mao esquerda estendida.

- "ah... "pimenta"..." - eu respondi um pouco tímida e lhe dei a minha mao.

nossas maos pequeninas e pálidas.

um vento forte passou por nós e sacudiu nossos cabelos. Sem me dar mais um minuto ela puxoume pela mão e me jogou no chao, na poeira.

me levantei rápida, irritada e um pouco chorosa.
- "Está bem - eu disse tirando a poeira do meu vestido - Agora é a tua vez, VIDA!"

2 comentários:

  1. As vezes para que as coisas tenha certo efeito sobre as pessoas não nescecita de ter um sentido!
    Belo texto.

    ResponderExcluir
  2. Esse é o meu texto preferido da Garota Estranha. Li milhares de vezes. A imagem mais perfeita, mais poética, mais realista ao mesmo tempo, sincera, profunda.

    ResponderExcluir